Para muitos tutores, parece que foi ontem que aquele cachorro chegou em casa ainda filhote, cheio de energia e pronto para transformar a rotina da família. Só que o tempo passou e os cães adotados durante a pandemia já começam a entrar em uma nova fase da vida.
Cinco ou seis anos depois daquele período, muitos animais que foram acolhidos entre 2020 e 2021 já deixaram para trás a fase de filhote e estão chegando à maturidade. Dependendo do porte, alguns já podem ser considerados seniores.
O envelhecimento faz parte da vida dos cães e não significa, necessariamente, doença ou perda de qualidade de vida. O que muda são as necessidades do animal e a atenção que o tutor precisa ter com alterações que podem surgir ao longo dos anos.
Segundo a veterinária Mayara Andrade, de GranPlus, da MBRF Pet, não existe uma idade única que determine quando um cachorro se torna idoso. O momento varia principalmente conforme o porte, além de fatores como raça, histórico de saúde e estilo de vida.
A American Animal Hospital Association (AAHA) considera como referência os últimos 25% da expectativa de vida estimada do animal. Como cães de grande e gigante porte costumam viver menos, eles tendem a chegar à fase sênior antes dos cães menores.
Envelhecer vai muito além dos pelos brancos
Os primeiros sinais de envelhecimento nem sempre são tão óbvios. Pelos grisalhos, mais horas de sono e uma redução no ritmo podem aparecer, mas o organismo passa por mudanças muito mais amplas.
Com o passar dos anos, podem ocorrer alterações no metabolismo, na composição corporal, na musculatura, nas articulações, na saúde bucal e até nas funções cognitivas. Por isso, uma mudança na rotina não deve ser automaticamente colocada na conta da idade.
Redução da atividade, irritabilidade, ansiedade, desorientação, mudanças no sono, menor interação, perda de peso ou massa muscular, alterações no apetite e no consumo de água e dificuldades para se movimentar estão entre os sinais que merecem atenção.
“Quem convive diariamente com o cão pode perceber mudanças sutis na rotina e no comportamento do animal. Essas observações são importantes para o acompanhamento veterinário. Mesmo alterações iniciais, como mudanças na mobilidade, no apetite ou no comportamento, devem ser compartilhadas com o veterinário que acompanha o pet”, explica Mayara.
Cachorro idoso não precisa ficar parado
Se o ritmo diminui, a atividade física não precisa desaparecer. Pelo contrário: manter o cão ativo pode contribuir para sua saúde física, cognitiva e para o bem-estar.
A diferença está em adaptar a rotina. Um cachorro acostumado a caminhadas longas pode precisar de passeios mais curtos ou em um ritmo diferente. Já animais que vão começar uma atividade física ou aumentar a intensidade dos exercícios devem passar por avaliação veterinária antes.
“O responsável deve observar sinais de cansaço, desconforto ou dificuldade de locomoção e conversar com o veterinário para encontrar uma rotina adequada”, orienta a profissional.
Brincadeiras também podem continuar fazendo parte do dia a dia, desde que sejam compatíveis com as condições do animal. Pequenos ajustes no ambiente ajudam ainda mais, principalmente quando há alguma dificuldade de mobilidade.
Check-up não deve começar quando aparece um problema
O acompanhamento veterinário é outro ponto importante nessa fase. As diretrizes da AAHA recomendam avaliações clínicas regulares para cães seniores, com exames complementares definidos de acordo com as necessidades individuais.
A consulta também permite revisar vacinação, controle de parasitas, saúde bucal, alimentação, peso, atividade física e comportamento. Algumas alterações podem começar de maneira silenciosa e serem percebidas primeiro durante uma avaliação profissional.
“Isso é importante porque alguns problemas podem começar de maneira silenciosa. Para o responsável, a consulta também é uma oportunidade de revisar vacinação, controle de parasitas, saúde bucal, alimentação, peso, atividade física e comportamento”, afirma Mayara.
Aquele filhote da pandemia cresceu
Quem adotou um cachorro durante a pandemia pode ter a sensação de que o animal ainda é aquele mesmo filhote que chegou à família. Mas, dependendo da idade e do porte, o tempo já pode ter levado o pet para outra etapa.
É justamente por isso que a veterinária recomenda que os responsáveis aproveitem este momento para revisar a rotina e conversar com o profissional que acompanha o animal.
“É comum que o responsável continue enxergando o cachorro como aquele filhote que chegou à família anos atrás. Mas as necessidades mudam com o tempo. Acompanhar essas mudanças e adaptar os cuidados é uma forma de contribuir para que o animal tenha mais qualidade de vida em cada fase”, diz.
Cinco cuidados que fazem diferença
Acompanhe o peso
Alterações de peso, principalmente quando acontecem sem uma mudança planejada na alimentação ou na rotina, devem ser avaliadas.
Observe o comportamento
Mudanças na disposição, no apetite, no sono ou na interação podem indicar que alguma coisa mudou.
Mantenha as consultas veterinárias
A frequência das avaliações deve considerar idade, histórico e necessidades individuais do cachorro.
Ofereça alimentação adequada
A composição e a quantidade do alimento precisam acompanhar as necessidades do animal. Em determinadas fases, pode ser necessário ajustar a dieta e optar por uma alimentação formulada para aquele período da vida.
Preserve uma rotina ativa
Passeios e brincadeiras continuam importantes, mas precisam respeitar as condições físicas e os limites do cão. Quando necessário, adaptar o ambiente também ajuda a garantir mais segurança e conforto.
No fim, envelhecer é uma parte natural da vida e talvez o maior desafio para quem acompanhou o cachorro desde pequeno seja perceber que as necessidades dele mudaram.
Para os animais que chegaram às famílias durante a pandemia, essa nova etapa já está batendo à porta. E quanto antes o tutor perceber essas mudanças, mais fácil fica adaptar alimentação, exercícios, ambiente e acompanhamento para que o cão continue aproveitando a vida ao lado de quem acolheu ele desde o começo.
Fonte: canaldopet.ig.com.br












