Passar horas diante do celular, computador, tablet ou televisão já faz parte da rotina de muitas pessoas, mas o uso prolongado desses dispositivos pode aumentar o desconforto visual e contribuir para hábitos que sobrecarregam os olhos. Entre os sinais que merecem atenção estão visão dupla, dificuldade para manter o foco, dor de cabeça, cansaço ocular e a percepção de que um dos olhos parece desviar. Embora as telas não sejam, por si só, a causa direta do estrabismo, o tempo excessivo diante delas pode intensificar sintomas e tornar mais evidente uma alteração que já existia.
Segundo a Dra. Eveline Barros, médica oftalmologista do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco, o estrabismo ocorre quando os olhos não permanecem devidamente alinhados, fazendo com que cada um deles possa direcionar o olhar para uma posição diferente. A condição pode aparecer na infância ou surgir ao longo da vida e precisa ser avaliada individualmente. “O estrabismo não deve ser tratado apenas como uma questão estética. Dependendo do caso, ele pode comprometer a visão binocular, causar visão dupla e dificultar atividades simples do dia a dia. Por isso, qualquer alteração no alinhamento dos olhos merece uma avaliação oftalmológica”, explica.
O uso prolongado de telas pode favorecer o aparecimento de sintomas como ressecamento, ardência, dificuldade para focar e sensação de peso nos olhos. Isso acontece principalmente porque, durante a concentração diante de uma tela, a frequência das piscadas tende a diminuir. Além disso, longos períodos olhando para objetos próximos mantêm a musculatura responsável pela acomodação visual em atividade constante.
“As telas exigem um esforço contínuo para enxergar de perto e, quando esse hábito se prolonga por muitas horas sem pausas, é comum que apareçam sintomas de cansaço visual. Isso não significa que o celular ou o computador tenha causado o estrabismo, mas pode fazer com que um desconforto ou uma alteração ocular que já estava presente fique mais perceptível”, pontua a especialista.
Uma atenção especial deve ser dada às crianças. Durante a infância, o sistema visual ainda está em desenvolvimento e alterações no posicionamento dos olhos podem interferir na formação adequada da visão. Quando um olho permanece desviado, o cérebro pode passar a ignorar a imagem recebida por ele para evitar a visão dupla, o que pode levar à ambliopia, conhecida popularmente como olho preguiçoso.
“Na criança, o diagnóstico precoce faz muita diferença porque existe uma janela importante para o desenvolvimento visual. Quando identificamos um estrabismo, precisamos entender a causa e verificar se há algum prejuízo na visão de um dos olhos. Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores são as possibilidades de preservar e desenvolver adequadamente a visão”, afirma a Dra. Eveline.
Nos adultos, por outro lado, o estrabismo também pode trazer impactos que vão muito além da capacidade de enxergar. Pessoas que convivem com o desvio ocular durante anos podem desenvolver insegurança em situações sociais, evitar fotografias, ter dificuldade para manter contato visual e até deixar de procurar tratamento por acreditarem que a condição não pode ser corrigida.
“Ainda existe muita gente que passa a vida inteira convivendo em silêncio com o estrabismo, acreditando que precisa simplesmente aceitar a condição. Mas existem possibilidades de tratamento, inclusive cirúrgico, e é muito importante que essas pessoas saibam que podem buscar ajuda. A cirurgia de estrabismo pode melhorar o alinhamento dos olhos e, em casos indicados, representar uma mudança importante não apenas funcional, mas também na autoestima e na qualidade de vida do paciente”, destaca a oftalmologista.
A cirurgia é indicada conforme o tipo de estrabismo, o grau do desvio, a idade do paciente, as condições visuais e os objetivos do tratamento. O procedimento atua nos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos, buscando reposicionar o alinhamento ocular. A necessidade ou não da cirurgia deve ser definida após uma avaliação oftalmológica detalhada, já que nem todos os casos possuem a mesma indicação.
“É fundamental entender que a cirurgia não deve ser vista como uma decisão exclusivamente estética. Em muitos pacientes, corrigir o alinhamento ocular pode contribuir para melhorar a função visual, a percepção espacial e o conforto, além de devolver uma segurança que foi perdida ao longo dos anos. Cada caso precisa ser estudado individualmente para que seja indicada a melhor estratégia”, ressalta a especialista.
Para reduzir o desconforto relacionado ao uso de dispositivos eletrônicos, algumas medidas simples podem ser incorporadas à rotina. Fazer pausas regulares durante atividades prolongadas, alternar o foco para objetos mais distantes e manter uma distância adequada da tela são atitudes que ajudam a diminuir a sobrecarga visual. Também é importante evitar passar muitas horas seguidas diante dos dispositivos, especialmente no caso das crianças.
“Mais importante do que proibir completamente as telas é estabelecer uma relação equilibrada com esses dispositivos. Crianças e adultos precisam ter momentos de descanso visual, atividades ao ar livre e uma rotina que não fique concentrada apenas em atividades de perto. E, diante de sintomas persistentes ou de qualquer percepção de desvio dos olhos, a recomendação é procurar um oftalmologista”, finaliza a Dra. Eveline Barros, médica oftalmologista do HOPE.
Fonte: Gabriel Santos da Silva -targetsp.com.br











