Os registros envolvem 12 casos relacionados à semaglutida, princípio ativo de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, e um caso associado à tirzepatida, presente no Mounjaro. Todos ainda são considerados suspeitos, e a Anvisa ressalta que a ocorrência simultânea do uso do medicamento e da doença não comprova relação de causa e efeito.
A Noia é uma lesão no nervo óptico provocada pela redução do fluxo sanguíneo na região. A condição pode causar perda repentina e geralmente definitiva da visão em um dos olhos, normalmente sem dor. É uma doença rara e ocorre com maior frequência em pessoas que já apresentam fatores de risco, como diabetes.
Estudos disponíveis até o momento sugerem uma possível elevação do risco entre usuários de semaglutida, mas não conseguiram comprovar que o medicamento seja a causa da doença. Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology, com mais de 1,6 mil prontuários, apontou risco de quatro a sete vezes maior de Noia entre usuários de semaglutida, mas os próprios pesquisadores destacaram limitações que impedem estabelecer uma relação causal.
Em junho de 2025, a Anvisa determinou que a Noia fosse incluída na bula dos medicamentos com semaglutida como uma reação adversa muito rara.
Especialistas ouvidos pelo portal g1 afirmam que o número de notificações, diante dos milhões de pacientes que utilizam esses medicamentos, não representa até o momento um sinal de alerta que justifique a suspensão generalizada do tratamento. Para pacientes com indicação médica, os benefícios no controle da diabetes e da obesidade continuam sendo considerados superiores aos riscos conhecidos.
A principal preocupação apontada pelos especialistas é o uso sem indicação médica para fins exclusivamente estéticos. Pessoas que já tiveram Noia não devem utilizar esses medicamentos, e pacientes que apresentarem perda súbita ou recente da visão devem procurar avaliação médica.
A Novo Nordisk, fabricante dos medicamentos à base de semaglutida, afirma que análises de estudos clínicos não identificaram aumento da incidência de Noia entre os usuários e que o perfil de benefício e risco permanece favorável. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que monitora continuamente a segurança de seus medicamentos e mantém diálogo com as autoridades regulatórias sobre possíveis eventos adversos.
Até o momento, as investigações da Anvisa continuam e não foi estabelecida uma relação de causa e efeito entre as canetas emagrecedoras e os casos de Noia.
Fonte: cdn24horas.com












