Problemas sanitários relacionados aos produtos têm sido recorrentes – entre 2020 e 2025, 63% dos processos abertos envolviam suplementos
Uma operação conjunta da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com a vigilância sanitária de Itapemirim (ES) resultou na interdição de uma fábrica clandestina de suplementos alimentares na terça-feira, 19/08. A ação faz parte do Programa de Fiscalização das Indústrias de Suplementos Alimentares, que inspeciona estabelecimentos em todo o país.
Durante a vistoria na empresa Verde Flora Produtos Naturais, os fiscais identificaram um galpão próximo ao local que funcionava sem qualquer autorização. Dentro do espaço, foram encontrados suplementos e medicamentos fitoterápicos sem registro na Anvisa e fabricados em condições higiênico-sanitárias precárias.
Segundo a agência, a gravidade da situação levou a equipe a acionar a polícia, já que havia indícios de crime contra a saúde pública — o que pode resultar até em prisão dos responsáveis. A polícia esteve no local, mas não conseguiu localizar os proprietários da empresa.

O galpão foi interditado e lacrado. Todo o material apreendido deverá ser recolhido e inutilizado, conforme prevê a legislação sanitária. O relatório da inspeção será encaminhado ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia contra os envolvidos. Além disso, será instaurado um processo administrativo sanitário.
Suplementos alimentares lideram processos de investigação da Anvisa
Os problemas relacionados a esse tipo de produto têm sido recorrentes. Em abril, por exemplo, a Anvisa proibiu suplementos à base de ora-pro-nóbis, ingrediente que vinha sendo comercializado sem comprovação científica de segurança ou eficácia. Pouco depois, determinou a retirada de diversos suplementos irregulares do mercado, como os da marca Power Green, que continham substâncias não permitidas, além dos produtos das linhas Lipo Sem Corte, Detox Fit e Intensy, fabricados sem registro e por empresa desconhecida.
Na última segunda-feira, 18, representantes da Anvisa participaram de audiência na Câmara dos Deputados para alertar sobre a baixa qualidade dos suplementos alimentares disponíveis no mercado nacional. Segundo a agência, o setor lidera o ranking de denúncias por infrações sanitárias e concentra um alto índice de reprovação – entre 2020 e 2025, 63% dos processos de investigação abertos envolviam suplementos.
Renata Ferreira, coordenadora de fiscalização, destacou que a Anvisa pretende ampliar o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) para agilizar a identificação de produtos irregulares, especialmente na internet. Segundo ela, a tecnologia já foi aplicada e levou à exclusão de mais de 230 mil anúncios, dos quais cerca de 60 mil estavam relacionados a suplementos alimentares.
Fonte: veja.abril.com.br/












